segunda-feira, 29 de junho de 2009

De Pastor para Pastor: Observações sobre a liderança (Parte I)

O presente artigo se propõe a apresentar alguns aspectos intrínsecos ao exercício da liderança no âmbito pastoral. Todavia não será possível esgotar a exposição do tema, devido a sua amplitude e a exigüidade de espaço disponível para esta apresentação. Quando pesquisamos sobre liderança e sua origem, duas hipóteses se destacam: a primeira diz, que os lideres são inatos, ou seja, já nascem com o potencial de liderança pronto para se desenvolver pragmaticamente. A segunda hipótese diz, que o líder e a liderança são desenvolvidos de forma processual e acadêmica. No que tange a liderança cristã, eu creio, que as duas hipóteses podem ser igualmente aceitas. Num dado momento da historia vemos o Senhor apresentando ao seu povo algum líder inato á sua geração e em outro momento da historia o Senhor prepara academicamente um líder como o apostolo Paulo e o disponibiliza ao seu povo. Em todo o transcurso histórico em que a presença de uma determinada liderança se fez necessária, a pessoa do líder precisou despender-se de grande esforço para cumprir sua missão sem se desgastar em demasia ou desistir de sua função.
Devido ao alto índice de exigência e expectativa que se dirigem ao líder, a liderança requer atitudes adequadas e espiritualmente elevadas para quem se encontra á frente da Igreja ou de algum trabalho no reino de Deus.Sendo assim,detectar aspectos que comprometam a arte de liderar é fundamental para o sucesso de quem foi chamado por Deus, para guiar o seu povo. Posto isto, passemos então a destacar atitudes negativas que poderão comprometer o exercício da liderança e portanto precisam ser evitadas.

Busca de Popularidade como Indício de Aprovação Ministerial
Nenhum líder cristão deve objetivar a popularidade, como indício de sucesso pessoal. Geralmente a obsessão pela popularidade retrata a falta de identidade do líder e ao mesmo tempo compromete os valores de sua liderança (Lucas 6:23).
Jesus nos ensina isto, quando diz: “Ai de vós, quando vos louvarem! Porque assim procedem seus pais com os falsos profetas” (Lucas 6:23).
Buscar a popularidade é uma tentação quando sabemos que a permanência no ministério de uma igreja depende do voto da membresia ou da opinião de alguns de seus lideres setoriais. Liderem realmente comprometidos com o seu trabalho sabem que não poderão agradar a todos. E, portanto, continuarão produzindo mesmo não alcançando a unanimidade, Rick Warren afirma-nos: “não sei qual o segredo do sucesso, mas a receita para o fracasso é tentar agradar a todo mundo”. A obsessão por aceitação total do grupo, pode naufragar um ministério, comprometer uma vocação. O pastor deve trabalhar com os aliados e suportar em amor os distanciados ao seu estilo e alvos de liderança. (Prov. 16:7).

Síndrome do Isolacionismo
Quando a síndrome se instala, o pastor se isola de todos. Se isola do rebanho pois não consegue confiar nas ovelhas e trocar ajuda com elas. Conheço um pastor que se isola de outras lideranças para não ser comparado. Está convencido de que pastor não pode ser amigo de ovelha, pois isso fragiliza a autoridade do líder, diz ele.
Algo que, qualquer pastor precisa saber é que a tarefa pastoral é por demais pesada para qualquer homem, por mais qualificado que ele seja. Se com a ajuda da igreja, o ministério e extenuante, quanto mais sem a ajuda de uma boa equipe. O pastor precisará fazer do rebanho sua parceria mais ajustada e cooperativa, se quiser, que seu ministério e a igreja cresçam; precisará trabalhar em equipe e num processo de interdependência, com seu rebanho, diminuindo a sobrecarga de trabalho, lançada sobre ele. O grande desafio para o pastor é ser líder e amigo, como Jesus foi de seus discípulos.
Neste sentido de liderança, Fred Smith, em seu livro: ”O impacto da liderança com integridade”. “Diz:” Essa é uma lição importante na liderança. Os grandes médicos que conheci foram capazes de passar da função médica, para o lugar de amigos. Alguns permaneceram cientistas e outros tornaram-se amigos. Isto aplica-se, claro em outros campos de trabalhos também. Qualquer um que tente manter uma imagem sofrerá solidão e alienação. O que é importante é que haverá uma pessoa real, um amigo real, atrás de uma pessoa real. É bom lembrar que: antes de conhecer nossa capacidade de liderança, nossas ovelhas buscam o amigo na função pastoral. A paranóia da perseguição, ou seja, a mania de perseguição, é a causa de inúmeros ministérios relâmpagos que não chegam a três ou quatro anos de um pastor numa mesma igreja.
O medo de perder o ministério é o controle da situação por algum líder que destaca na igreja, tem colocado muitos pastores, numa atitude defensiva, ao se relacionar com os membros da igreja. O resultado de isolacionismo ministerial é o índice cada vez maior, de pastores emocionalmente destacados e improdutivos em suas múltiplas funções pastorais, e desenvolvendo doenças psicossomáticas, resultantes de seus ministérios.

Descontentamento vocacional
Seguramente, não há nada mais frustrante que a descoberta, de que se escolheu a vocação errada. Isso produz em seu sentimento doentio, de que se perdeu: Dinheiro, tempo e energia, que se podia ter gasto em algo mais satisfatório e prazeroso.
Recentemente, um colega de ministério pediu exoneração de um pastorado, alegando profunda frustração com resultado de mais de vinte anos de trabalho em várias igrejas sentia-se insatisfeito e desmotivado, numa tarefa sem elogios e elevado índice de expectativa das ovelhas a seu respeito, pastores insatisfeitos e descontentes produzem igreja sem alegria e sem vida abundante. Em Hebreus 13:17. Não é sem razão, que muitas igrejas deixam de ser relevantes e atraentes em suas comunidades. O pastor é o termômetro motivacional da igreja; Tal qual, é o pastor, assim, será a igreja. Nesse sentido Jesus disse: Que ferindo o pastor, as ovelhas se disperçam (Mateus 26:31).
A fim de aprender as demandas do ministério pastoral e suportar o elevado índice de expectativa dirigido ao ministro, o pastor precisará encontrar em Deus a sua palavra e os recursos espirituais para se tornar uma pessoa resolvida no âmbito espiritual e emocional. Lembre-se, que o pastor descontente produz um rebanho desmotivado para o conhecimento.

Prioridades Pessoais

Definir as prioridades pessoais é tão importante como a bússola, é importante para definir o rumo que o navio deseja alcançar. Uma vida sem prioridades definidas pode tornar uma vida sem alvos, objetivos e propósitos. O livro: “Acres de Diamantes” de autoria de Russel Conweel, conta a história de um homem chamado Ali Hafed que vivia no belo país do Irã. Fazendeiro, estava contente com a sua situação, sua fazenda era excelente e rendosa. Tinha esposa e filhos, criava carneiros, camelos e plantava trigo. Feliz consigo mesmo, dizia: “se um homem tem esposa, filhos, camelos, saúde e paz de Deus, é um homem feliz!”
Ali Hafed continuou rico até que um sacerdote veio visitá-lo e começou a falar de uma coisa estranha que o sacerdote chamava de “diamantes”. Ali Hafed jamais ouvira falar em diamante. E o sacerdote comentou: “eles cintilam como um milhão de sois, na verdade, as coisas mais linda do mundo!”
De repente, Ali Hafed passou a sentir-se por demais descontente com o que possuía. Esqueceu, de que: “se um homem tem esposa, filhos, camelos, saúde e paz de Deus, é um homem feliz!” e convencido de que lhe faltava alguma coisa, perguntou ao sacerdote: “onde posso encontrar esses diamantes? Preciso possuí-los!” O sacerdote respondeu: “dizem que é possível achá-los em qualquer parte do mundo. Procure um riacho de águas transparentes correndo sobre areia branca em região montanhosa, e achará diamantes.
Ali Hafed, então tomou uma decisão, vendeu a fazenda confiou a esposa e filhos aos cuidados de um vizinho e se lançou em uma jornada a procura de diamantes.
Viajou pela Palestina, depois ao longo do vale do rio Nilo, até que, afinal encontrou-se junto às colunas de Hércules, entrando, a seguir na Espanha. Ele procurava areias brancas, montanhas altas. Diamantes, porém, não encontrou um só, com o correr dos anos, um dia ele chegou a costa de Barcelona, na Espanha. Estava alquebrado, sem recursos e sem condições de comunicar-se com a família e precocemente envelhecido. Num acesso depressivo de desespero, profundamente triste e frustrado, lançou-se ao mar e morreu.
Nesse ínterim, o homem que havia comprado a fazenda de Ali Hafed, achou uma curiosa pedra negra, enquanto seu camelo bebia água num riacho, próximo de sua casa, colocou-a sobre a parte da lareira e esqueceu-se dela.
Um dia apareceu o sacerdote. Olhou acidentalmente para a pedra negra e notou um lampejo colorido brotando de um ponto onde saíra uma lasca. Disse ao dono da casa: “um diamante, onde o achou?”
Contou-lhe o fazendeiro: “encontrei-o nas frias areias do riacho de águas claras aonde levo meu camelo para beber.”
Juntos, arrebanhando as túnicas e correndo tão depressa quanto lhes permitiam as sandálias, dispararam rumo ao riacho. Ansiosamente se baixaram e puseram-se a cavar e acharam mais diamantes! Este achado se transformou na mina Golconda – a maior mina de diamantes do mundo.
Alguém poderia dizer: “triste história de Ali Hafed!” Mas esta é a história de muitas pessoas. Uma pessoa precisa descobrir e definir suas prioridades de vida, o quanto antes. A Bíblia diz, que antes de qualquer coisa, cada pessoa precisa priorizar a sua relação com Deus, Jesus Cristo disse: “mais buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” – (Mateus 6:33) – antes de tudo deve estar o nosso empenho e esforço em obedecer, servir e amar a Deus. Nossas demais prioridades pessoais dependem disto. A família, o trabalho ou a carreira profissional, os amigos, tudo poderá ser melhor se amarmos primeiramente a Deus. Pense nisto!